Óxido de Etileno: presença em alimentos

Tudo começou em 2020, com as sementes de sésamo provenientes da Índia contaminadas com óxido de etileno.

Em 2021 a presença desta substância diversificou-se, nomeadamente em espessantes ou estabilizantes. A Goma de Alfarroba (E410), foi particularmente afetada e é um ingrediente utilizado numa ampla gama de alimentos. 

Mas afinal o que é o óxido de etileno e como aparece nos alimentos?

O óxido de etileno é um gás à temperatura ambiente. É utilizado como pesticida, fumigante ou agente de esterilização de equipamentos médicos ou de laboratório, pois é capaz de eliminar microrganismos indesejáveis. Nos países da União Europeia (UE), não é permitido o uso de óxido de etileno como pesticida ou para a desinfeção de alimentos. Ao contrário de outros países, como a Índia.

Contudo, os alimentos importados para a UE precisam de cumprir com a legislação europeia.

Em 2021, houve 468 notificações no Sistema Europeu de Alerta Rápido para Alimentos e Alimentos para Animais (RASFF) devido a contaminação de diversos alimentos com óxido de etileno. Por causa disso, vários países recolheram do mercado diversos produtos alimentares. O que resultou na maior operação de recolha na história da UE até à data.

No dia 11 de Agosto, a UE publicou o Regulamento (UE) Nº 2022/1396 que altera o Regulamento (UE) Nº 231/2012 no que diz respeito à presença de óxido de etileno em aditivos alimentares. O Limite Máximo de Resíduos (LMR) passa a ser oficialmente o Limite de Quantificação (LoQ), ou seja, 0,1 mg/kg.

Este limite entra em vigor a 1 de Setembro de 2022.

Quais os alimentos de risco?

De acordo com uma pesquisa que fiz na plataforma do RASFF, os alimentos de risco são na sua maioria aditivos com funções espessantes ou estabilizantes como a goma de alfarroba; goma guar; goma xantana e o agar agar. Bem como os alimentos que contém estes aditivos. Tais como gelados; produtos de padaria e pastelaria; levedura; suplementos alimentares; sopas instantâneas; molhos; entre outros.

As especiarias; extratos de raízes de plantas; sementes de sésamo e em alimentos que contém estes ingredientes foram também alvo de notificação na plataforma RASFF.

Quais os riscos associados ao consumo de alimentos contaminados?

O óxido de etileno é perigoso pois é classificado pela Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA) como mutagénico, cancerígeno e com toxicidade reprodutiva. 

O consumo de alimentos contaminados com óxido de etileno não representa um risco agudo para a saúde, porém, o consumo por um longo período de tempo, resulta num risco acrescido para a saúde dos consumidores. 

Medidas para controlo da presença de óxido de etileno em alimentos:
  1. Identifica se utilizas algum destes aditivos ou alimentos de risco;
  2. Analisa as fichas técnicas das matérias-primas e determina se contém algum dos aditivos de risco;
  3. Solicita aos fornecedores uma garantia de que os aditivos não estão contaminados com óxido de etileno (pode ser uma análise laboratorial periódica);
  4. Com base numa avaliação de risco, poderás incluir este parâmetro no plano de controlo analítico de matérias-primas ou produtos finais do teu sistema de segurança alimentar.

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